segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Amamentar cansa?

A gente fica mais cansada com certeza.

Tem que produzir leite, tem que amamentar em livre demanda, na hora que o bebê pede, tem que ficar disponível, tem mais fome e, com isso, gasta cerca de 500 calorias a mais por dia.

Porém, cansa menos do que acordar cedo no horário de verão, pegar o carro, abastecer, pegar duas horas de trânsito escutando buzina, com gente te fechando, te xingando, com farol que não abre e com agente de trânsito que não trabalha.

Cansa menos do que não achar lugar para parar no trabalho, do que trabalhar em três Unidades Básicas de Saúde com uma jornada de 30 horas, do que ficar em reuniões improdutivas, do que fazer coisas no trabalho que você tem certeza que não dá futuro. Cansa menos do que abrir o holerite e fazer as contas com a última linha.

Cansa menos do que comer correndo, do que pegar chuva, do que passar calor no carro sem ar condicionado.

Cansa menos do que voltar do trabalho e ter que passar no supermercado em 20 minutos, em lembrar de tudo o que tem para comprar, de comprar as suas frutas, as frutas do bebê, de passar na farmácia, de comprar a roupa que falta, de não deixar faltar as coisas em casa.

Cansa menos do que tomar banho correndo, lavar roupa, pendurar, tirar a roupa seca do varal enquanto refoga o arroz, descongela o feijão feito no final de semana, faz uma carne, cozinha legumes, enquanto faz um papazinho diferente para o bebê.

Cansa menos do que terminar o jantar enquanto fala ao telefone, resolve outras coisas, ao mesmo tempo em que se preocupa com o uniforme da escola e arruma as bolsas. A sua e a do bebê.

Cansa menos do que ter que lembrar todos os dias que tem que levar papel higiênico para o trabalho, comida e a água de beber. De levar agenda, notebook, carregador, celular, o carregador do celular, carteira, documento do carro certo.

Cansa menos do que arrumar armário, guardar as roupas, sair catando as coisas da casa.

Por quanto tempo terei que fazer isso: a vida toda.

Quando eu amamento, eu sento, estico as costas, as pernas, tiro os sapatos, bebo um copão de água, tiro a blusa em dia de calor, pego um cobertor no dia de frio, me aninho com minha cria e, enquanto ela mama passando a mão no meu rosto, aproveito para sentir a molezinha que a ocitocina dá no corpo. E durmo.

Por quanto tempo terei que fazer isso? Dois, dois anos e meio talvez.
E aí? Paro de amamentar ou repenso minha vida?

O que você faria?

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Alergia a proteína do leite de vaca

Muuuu...
pra Fabi e pra Marina?
Não! 
Dos quarenta dias aos oito meses de vida da Marina eu suspendi todo o leite de vaca e derivados da minha dieta porque Marina tinha cólicas. Quem quiser mais sobre esta época, clique aqui.

Dos oito até hoje, 1 ano e meio, voltei a comer tudo normalmente. Porém, quando Marina fez 1 ano tentamos começar a dar alguns derivados, mas muito de vez em quando. Quando estávamos comendo algum doce, dávamos uma colherada para ela, mas nada em quantidade. O leite de vaca ela não tomava mesmo, só o meu leite.

Algumas bolinhas surgiram no pescoço, mas como estava calor, todo mundo dizia que era brotoeja, que era do calor, mas ela coçava quase sempre.

Na mesma época, ela saiu do berçário na escola e foi para a sala Fase 1. Lá o cardápio já mudava um pouco. Pão com requeijão, algumas preparações com creme de leite. Foi aí que Marina apresentou uma alergia no corpo todo. Ficou todinha empipocada.

Cortamos todos os derivados dela. Porém, sempre surgiam algumas bolinhas no pescoço, como um colarzinho. Meu marido aparentemente também tinha alergia até mais ou menos os dois anos de idade, assim, com todos esses indícios, cortamos.

Sempre fiquei com a "pulga atrás da orelha" em relação à minha ingestão de leite de vaca, mas não tinha coragem de recomeçar a dieta.

Até que, lendo o post da colega que escreve o blog Potencial gestante, resolvi cortar novamente o leite e os derivados da minha dieta. Nossa, olha, não é fácil... sou uma bezerra e, nesta época de calor, festas, é difícil manter a restrição com os derivados.

Estou há três semanas sem leite e derivados, vivendo um dia por vez (parece Alcoólicos Anônimos..heheh), e preocupada se essa alergia da Marina vai passar, como acontece em 90% dos casos até a criança completar 3 anos.

Desde o segundo dia da minha dieta ela não tem mais bolinhas no pescoço e o nariz parou de escorrer.

Valeu a pena.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Sobre o apego - post "emprestado"

por: Naíme Silva

Sou um animal sentimental
Me apego facilmente ao que desperta meu desejo
(Renato Russo)

"Quando Abá nasceu, apesar de toda a minha formação em Psicologia há 18 anos, senti-me perdida. Meu coração pedia uma “selvageria” , um grude, um apego, uma emergência que de longe eu sabia que estava escrito no DNA materno. Eu queria encaixar o que diziam as pessoas, aquilo que elas pregavam como certo, no que ditava meu coração:

• bebês não podem ficar na teta o tempo todo, acostumam mal;
• bebês não podem dormir com os pais, depois não sairão da sua cama;
• bebês não podem ficar no colo, senão ficam manhosos;
• enquanto ele dorme, você aproveita para dormir (e longe do bebê, claro!);
• se ele chorar muito é porque seu leite não o está sustentando, precisa de dar leite de vaca que é bem mais forte;
• afinal, quando você vai dar uma chupeta para esse menino?

E, esses dias mesmo, uma grande amiga, psicóloga também, me disse: “Esse menino já está grande demais pra dormir no seu colo, ele não é mais bebê, coloque-o no berço!”

Tá bom, vamos assumir de uma vez por todas: a cada dia que passa deixamos de lado nossa porção humana! Como é possível que as pessoas pensem ser um absurdo uma mãe que deixa seu filho dormir todas as tardes no seu colo, mas não achariam nenhum absurdo que ela passasse toda a tarde navegando na internet enquanto seu filho dorme no berço?

Voltando ao nascimento de Abá, me senti tão desorientada, tão aflita e tão confusa e comecei buscar referências e demorou mas achei: a primeira referência e conforto para as minhas aflições encontrei no mamíferas… poxa, eu era mamífera e não tinha me dado conta! Depois encontrei a rede AMS (Aleitamento Materno Solidário), o coletivo feminista de sexualidade e saúde! A verdade é que encontrei uma mulherada porreta que já vinha há um bom tempo refletindo estas questões.

Retomei Winnicott, retomei John Bowlby e René Spitz, conheci a Simone de Carvalho e Grasielly Mariano, encontrei-me com Laura Gutman e o Dr. Gonzalez, fiz amizade com a Renata Penna e Dra. Andreia Mortensen. Ufa, ALÍVIO, há gente, há teoria, há argumentação para as minhas atitudes e sentimentos. Estamos numa época em que o que é humano e natural tem de ser justificado, arguido, fundamentado. Porque perdemos no caminho a nossa essência e o que é natural e humano passou a ser estranho, alternativo.

Explico: vejo uma grande contradição em nossa cultura ocidental, nós colocamos limites precoces aos nossos bebês, como dormir em berços desde o nascimento, não pegar muito no colo, calar a boca com chupetas e encher o bucho com mamadeiras, exigir que durmam a noite toda e depor contra o apego inicial e necessário. Quando depois eles crescem, os xingamos de “mal-educados”, que só comem lixo, que são birrentos e desobedientes e não enxergamos que nossas crianças são na verdade fruto de nosso abandono físico e emocional. E mais: quando os filhos estão adultos, com uma atitude de adolescência tardia ou sem o menor vínculo com mãe e pai, tocando suas próprias vidas e família, ouvimos as reclamações maternas:

• faz uns meses que minha filha sequer dá-me um telefonema, anda muito ocupada;

• ele chega em casa e não fala comigo, tranca-se no quarto e passa a madrugada na internet, nem parece mais que mora nessa casa;

• aqui não sentam à mesa para comer conosco, sinto que não tenho mais filhos;

• não sabemos mais o que é passar o Natal com os filhos.

Ora essa, querem o apego numa ordem invertida? Não ouviram seus corações, não desenvolveram apego na infância com seus filhos e filhas e desejam vínculo mais tarde?

A independência, a autonomia, o respeito à diferença e a convivência saudável em sociedade só são possíveis quando, na mais tenra infância, as crianças podem ter a presença, o apego e acesso aos corpos da mamãe e do papai. Isso lhes dará segurança, confiança, apoio e liberdade para crescerem e suportarem as adversidades, os conflitos humanos, as dificuldades na vida em sociedade e mesmo a vinculação parental, a gratidão pela dedicação dos anos da infância de mãe e pai. Quem dera fosse apenas eu que afirmasse tudo isso, mas nas referências acima vocês poderão encontrar um vasto terreno teórico em psicanálise, na neurociência, e testemunhos de pessoas que defendem uma sociedade mais humana e mais justa em contraste com esta que temos.

Pra você mulher, que no fundo de sua alma sente que é mamífera, sente seus hormônios pulsarem na relação com seu bebê, deixe esses comentários desumanos fora do seu coração, faça ouvidos moucos, abrace sua cria, cheire, lamba, durma com ela sem culpas, amamente em livre demanda e faça um desmame natural. Deixe que seu desenvolvimento flua naturalmente, respeitando cada etapa. Deixe seu bebê dar o tom da autonomia e respeite isso. Não force o seu desenvolvimento e seja feliz em sua maternagem. Permita-se mamífera!"

Retirado de:
Blog Mamíferas

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Fruta sim, suco não! Suco sim, fruta não!

As fases...

Até os 12 meses de vida, Marina comia todas as frutas. E rejeitava todos os sucos. Só queria água e mamá.
Mesmo porque, como ela não tomava outros leites na escola, o único lanche que ela fazia era fruta.

Depois disso, Marina foi para a "salinha de 1 ano" e os lanches mudaram. A fruta é oferecida como sobremesa e, nos lanches, come pão ou bolo de cenoura e sucos, sucos bem variados.

No entanto, Marina não come sobremesa. Ela come a comida toda e pronto, já matou a fome.
Fora que ela resolveu ter nojo da consistência da fruta...blah!

Assim, Marina não quer as frutas e resolveu tomar todos os sucos.

Que luta! Agora tem que brincar com a fruta, mamãe come junto... o bom é que eu ando me acabando de comer frutas (fazia tempo que eu não fazia isso...)

As fases, a escola, que engraçado, né, tudo é tão dinâmico! Dá trabalho, mas é tudo de bom!
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