segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A primavera chegou. Mas as minhas borboletas partiram.


Eu sei que é um assunto pesado para este blog cujo assunto é amor, alegrias. Mas como também é um blog que fala sobre experiências, dificuldades, superação, acredito que vai caber.

As borboletas que eu sentia no útero foram sumindo. E isso me deu a certeza de que algo havia parado.

Há uma semana sentia que a gestação de 6 semanas não ia bem. Os sintomas foram sumindo porém, as dores foram aumentando e eu passei a insistir em refazer os exames e a querer acompanhar mais de perto.

Sentia que meu ventre não era mais habitado. Minhas mamas não apresentavam sinais de vida. Meu leite secou de vez. Fui desinchando. Meus cabelos mudaram, meu apetite também.

Ninguém acreditava naquilo que eu estava sentindo e só diziam que eu tinha que esperar. Para ajudar, fiz um ultrassom com um médico-sem-mãe que não me deixou tampouco ver meu útero ainda sem vestígios de gravidez: "Está cedo, não há nada para você ver" e plantou-se em minha frente de forma que eu não visse o monitor. Violência obstétrica na primeira ultra...

Dia  20 de setembro, 12 dias depois do primeiro positivo, alguém me ouviu durante um momento em que eu achei que não podia mais. Saí do controle e busquei ajuda. A ajuda veio. De mãos dadas com meu marido, refizemos os exames. Beta crescendo muito lentamente o que poderia indicar uma gravidez muito inicial (o que eu não acreditava), ou uma gravidez ectópica (somado a uma ultra cujo endométrio não havia crescido e sem sinais de gravidez) ou uma gestação anembrionada.

De uma coisa eu tinha certeza.  EU IA PARIR. Fosse dali alguns dias, fosse dali 30 semanas. Ninguém ia arrancar nada de mim. Eu resolveria. Meu corpo resolveria.

Na ultra, graças a Deus, o saco gestacional estava onde deveria estar, no endométrio, o que gerou um alívio muito grande, pois não queríamos uma cirurgia. Porém, não havia vestígios de saco vitelínico. O saco gestacional estava, aparentemente, vazio. A orientação era de esperar para refazer o beta e refazer a ultra dali uns dias para realmente ver o embrião.

Naquela noite mesmo, à meia-noite do dia 21/09, comecei a gotejar. Eu e meu marido resolvemos que não era necessário se apressar. Avisei a obstetra e, ao lado do meu marido, dormimos. Se precisasse sair, que saísse. Não impediríamos a natureza. Pela manhã, fui ao encontro dela e resolvemos fazer uso da progesterona mas queria ter certeza de que não estaria forçando algo inviável a continuar. Fui para casa, o gotejamento não cessou mais.

Ao lado do meu marido e de minha filha, repousei, mas logo comecei a sentir a dilatação. Dores muito fortes acompanhadas de cólicas. Meu colo estava dilatando. Repousei.

No dia seguinte, começaram as contrações. Contrações verdadeiras, me pus no chuveiro, me concentrei e aceitei. Tive o colo do meu marido, da minha filha. Aceitamos. E, com esta aceitação, o sangramento não parou mais. Endométrio, sangue, vasinhos. Tudo foi saindo. A cada contração, eu sentia que meu corpo estava ali, trabalhando para que tudo se resolvesse. E eu fui aceitando cada vez mais.

Hoje, 3 dias depois, ainda com contrações (hoje tive a mais forte de todas, com bastante descolamento), estou aqui, escrevendo.

Marina já sabe que o irmãozinho vai demorar um pouco mais. Ela perguntou se Papai do Céu não deixou ele vir. Eu disse que não sabia, mas que deveríamos esperar e esperar felizes que ele viria na hora certa.

Eu e Ricardo já passamos por muita coisa juntos. E acho que, de toda essa história de 21 anos juntos, no ano em que comemoramos 10 anos de casados e, exatamente engravidando no aniversário de casamento, percebo que foi a situação mais difícil ao mesmo tempo em que fomos o mais forte que fomos nesse tempo todo. Estamos muito seguros e em paz. Fomos presenteados por alguém que só precisava de 20 dias do nosso amor para se completar e ir embora. Só tenho a agradecer a oportunidade e alegria daqueles primeiros dias.

Agradeço a todos pela torcida. Mas agora me recolho. Uma semana. Vou me entregar às minhas contrações e ao nosso luto.

Fabi

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Acabou. Mas recomeçará com outra história. Daqui 35 semanas.


Marina e o teste de farmácia
positivo.
Mamãe! Vou ter um bebê!
Acabou.
Marina mamou pela última vez em 27 de agosto de 2013. Esse foi o último dia. Pediu mais umas duas vezes depois mas não conseguiu mais tirar leite. Marina perdeu a pega. Nesse 27/08, Marina pediu para mamar dormindo, em meio à catapora de 3 bolinhas que ela pegou e não mamou mais.

Hoje ela adormece abraçada à mim, me lambe quando quer um carinho, me beija, eu beijo, amasso, aperto. Às vezes ela finge que está mamando, por cima da minha roupa, dá um cheirinho na minha pele e volta a brincar. Às vezes ela faz carinho no tetê, às vezes ela me dá tetê.

Fica difícil finalizar essa história de 3 anos, 2 meses e 21 dias. 1178 dias. Por isso fiz o blog. É muita história. É muita vida, é muita transformação, é muita luta, é muito carinho, é muito tudo.

Mas o blog não acabou. Marina abriu caminho agora à duas novas histórias. A dela, que está só começando ainda mais independente, sem mamar e seguindo sua vidinha. A do seu irmãozinho (a) que vai chegar daqui umas 35 semanas (mais ou menos eu acho...rssr) que vai ter que aprender a mamar. E esses dois que, juntos vão me transformar novamente. E continuar essa história.

Eu queria amamentar grávida, mas acho que meu inconsciente tinha que fechar uma porta para abrir outra. Somente depois do desmame da Marina foi que ele se abriu. Que ele permitiu. O desmame natural é um excelente anticoncepcional! O vínculo é tão forte, que faz essas coisas com a gente...

Vou aproveitar esse tempo para postar ainda coisas interessantes sobre Marina e esse período, sobre mim e vou reorganizar o blog.

Obrigada a todos que nos acompanharam. Se eu pude ajudar alguém, fico imensamente feliz. Se eu puder continuar ajudando, serei a pessoa mais feliz do mundo. Eu sou a pessoa mais ajudada nessa história toda. Conheci tantas pessoas... tantas histórias.... Obrigada! Vocês fizeram parte da minha transformação.
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