sábado, 31 de julho de 2010

Consulta de medicamentos

Para consulta da segurança dos medicamentos durante a lactação (em inglês):

http://toxnet.nlm.nih.gov/cgi-bin/sis/htmlgen?LACT

Medicamentos durante a amamentação

São frequentes as vezes em que uma mãe a amamentar precisa de tomar medicamentos, seja para uma doença crónica, seja para uma afecção menos importante como uma gripe, uma dor leve, ou qualquer complicação relacionada com a gravidez ou período perinatal . As preocupações relacionadas com os malefícios potenciais para o bebé são frequentemente a causa para a suspensão ou interrupção do aleitamento materno. A maior parte das vezes, de forma incorrecta. Isto significa privar o bebé de todos os benefícios que a amamentação lhe poderia proporcionar.

A utilização de medicamentos durante a amamentação requer uma ponderação entre, por um lado, os benefícios do uso do medicamento pela mãe e, por outro, o risco de não amamentar ou de sujeitar o bebé aos efeitos potenciais da exposição aos fármacos.

A exposição à droga, por parte do bebé, depende da concentração no leite materno e da quantidade de leite consumido, e a actividade farmacológica está dependente da sua absorção, distribuição, metabolismo e eliminação pelo bebé.
A transferência de um medicamento para o leite humano é predominantemente determinado por um gradiente de concentração que permite a difusão passiva de fármacos livres (não ligados às proteínas) e não ionizados. A concentração do fármaco no leite é influenciada principalmente pela concentração no sangue da mãe, e esta concentração tende a ser mais baixa em medicamentos que têm um grande volume de distribuição. Os medicamentos que têm elevado peso molecular, que se ligam fortemente às proteínas, ou que são pouco lipossolúveis tendem a não passarem para o leite em quantidades significativas.

A maior parte das drogas são excretadas no leite materno, mas em concentrações poucas vezes superiores a 1 ou 2% da dose materna, o que raramente põe problemas para o bebé.
A segurança de um medicamento durante a gravidez não é garantia de segurança durante a amamentação já que o bebé é capaz de metabolizar e excretar de forma independente a droga. Por outro lado um medicamento licenciado para uso em crianças jovens é, normalmente, seguro para ser tomado por uma mãe a amamentar.

Existem listas de medicamentos classificados pela segurança de uso na amamentação, publicadas por associações profissionais como a Academia Americana de Pediatria, e organismos internacionais como a OMS, mas pecam pela falta de actualização, mostrando-se muitas vezes datadas, pela falta de detalhe e pela ausência de muitas drogas nomeadamente as de introdução mais recente. Contudo, estes são documentos sempre úteis e de consulta facilitada, que dão resposta à maior parte das questões levantadas neste assunto.
Quando confrontados com a necessidade de avaliação das vantagens e inconvenientes de um determinado medicamento, seja no momento da prescrição, seja perante um pedido de informação já no decurso da sua toma, várias passos prévios podem ser tomados, que auxiliarão nessa avaliação e numa melhor utilização (Ver Quadro).

Existem várias bases de medicamentos disponíveis, através da Internet, para consulta, que aconselhamos, e tornam desnecessárias repetições de informação.

Factores que influenciam a segurança de um medicamento durante o aleitamento materno

1. Factores relacionados com o leite
Composição do leite (teor em lípidos e proteínas)

2. Factores relacionados com a mãe
Via de administração
Dose e duração da terapêutica
Eliminação hepática e renal

Retirado de: http://www.amamentar.net/ProfissionaisdeSa%C3%BAde/Am%C3%A3e/Drogas/tabid/211/Default.aspx

3. Factores relacionados com o filho
Idade
Quantidade de leite
Absorção do fármaco
Eliminação renal e hepática
Segurança da droga para o lactante

4. Factores relacionados com o medicamento
Constante de dissociação (PKa)
Hidrossolubilidade e lipossolubilidade
Tamanho da molécula
Biodisponibilidade oral
Toxicidade
Efeito na produção do leite
Duração de acção

Perguntas e acções possíveis para evitar os riscos potenciais dos medicamentos

· O medicamento é realmente necessário?
· Pode ser usada outra droga mais segura?
· Preferir drogas mais antigas, já estudadas e seguras, pouco excretadas no leite;
· Preferir terapêutica tópica/local a sistémica;
· Evitar combinações de fármacos;
· Escolher fármacos que passem pouco para o leite;
· Escolher fármacos que não passem ou passem pouco a barreira hemato encefálica;
· Preferir drogas que sejam usadas nas crianças;

· Escolher um horário favorável, evitando que o pico do medicamento no sangue e no leite coincida com o horário da amamentação;

· Evitar drogas de acção prolongada;
· Se existir risco, ponderar doseamento das concentrações no sangue;
· Orientar a mãe para observar a criança;
· (padrão de sono, padrão alimentar, agitação, tónus, alterações gastrointestinais);
· Orientar a mãe para retirar leite com antecedência, guardá-lo e ajudá-la a manter a lactação.

A pega correta - 3 (vídeo)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Mais um pouco de ciência. As propriedades do colostro.

Um pouco de ciência. Diferença entre os leites.

Diferenças entre os leites: Materno, Animal e Artificial

Quem disse que tudo é tão romântico? Às vezes fica difícil...

O maior desafio da minha vida hoje é amamentar.

Aprendi muitas teorias na Faculdade e no trabalho mas nunca imaginei que a teoria seria tão diferente na prática quando o assunto é esse. Minha meta é amamentar a Marina até os 6 meses exclusivamente e só parar quando ela quiser (é lógico que não para sempre hehe), mas às vezes dá a sensação de que não sou forte o suficiente para isso.

Durante o dia ela mama muito tranquila, sou adepta à livre demanda, portanto, não tenho horários pré-estabelcidos para amamentá-la. Qaundo ela pede, eu dou, não importa se ela mamou há 10 minutos ou há 3 horas. No entanto, à noite,tudo fica difícil. A Marina teve muitas cólicas (agora reduziram depois que parei de tomar leite de vaca e derivados, mas isso depois eu explico), gosta de ficar acordada depois das 23h e aí, chora de sono. Ela não aceitou nenhuma chupeta (Ainda bem! Leia mais em Chupeta e mamadeira desmamam). Ela pede para ficar no peito a cada 20, 30 ou 40 minutos das 22h às 2h da manhã e aí fica difícil. Quando tem cólicas, ela me morde e puxa o mamilo, machucando. Fora o meu sono, pois ela mama de madrugada também e pela manhã e eu não consigo dormir durante o dia (fora que dormir durante o dia não descansa como de noite). E aí ficamos um "caco"... Começa a dar medo de tudo, de acabar o leite porque você fica cansada, porque você fica nervosa, aí dá uma culpa danada...

Acredito que isso aconteça com muitas mães que passam pelo pesadelo das cólicas e dos bebês que trocam o dia pela noite, por isso resolvi compartilhar, mas acho que chegaremos lá. Ainda não perdi nenhuma meta minha na vida, não será essa a primeira. O benefício da amamentação não é só meu, mas da vida da minha filha. O futuro da saúde dela depende disso.

Marina mamando com 1 mês e 12 dias.

Porque toda mulher é capaz de produzir leite? - 2

A ciência diz isso. Dá uma olhada:


A ocitocina estimula a ejeção do leite pelos alvéolos internos, pequenas glândulas em que o alimento é produzido. A ocitocina também está por trás da sensação de calma, satisfação e alegria que a mãe experimenta enquanto nutre seu filho.

Porque toda mulher é capaz de produzir leite? - 1

A ciência diz tudo. Dá uma olhada:


A prolactina atua sobre as glândulas mamárias, estimulando seu crescimento e a produção de leite.

A pega correta - 2



O bebé deve estar em contacto com a mãe (barriga com barriga);

O bebé deve estar virado de frente para a mãe, com a cabeça, ombros e corpo em linha recta;

O nariz do bebé deve estar ao mesmo nível do mamilo;

A cabeça do bebé deve repousar no antebraço da mãe;

O bebé deve ser capaz de alcançar o peito facilmente, sem ter que se esticar nem girar a cabeça;

A mãe aproxima o bebé do peito e não o peito do bebé;

Se for necessário segurar a criança, segure por trás dos ombros, não por trás da cabeça.

Depois do bebé bem posicionado, com o nariz a nível do mamilo:

Espere que ele abra a boca bem aberta (pode estimular a abertura da boca roçando com o mamilo nos lábios do bebé).

Rapidamente, aproxime o bebé da mama, de modo que o seu lábio inferior toque na mama o mais longe possível da base do mamilo (assim, o mamilo estará apontado em direcção ao céu da boca).

Sinais de uma pega correcta:

A boca do bebé está muito aberta e ele tem uma grande porção de mama dentro da boca
(lembre-se que amamentar é “dar o peito”, não é dar apenas o mamilo);

O queixo está a tocar na mama;

O lábio inferior está enrolado para trás;

Se existir aréola visível, mais quantidade é visível acima do lábio superior
do que abaixo do lábio inferior.

Retirado de:
http://www.leitematerno.org/posicao.htm

A pega correta - 1


Não adianta falar sobre tudo isso se o bebezinho não abocanha direito a mama. Quando a gente vê nos sites e nos cursos de gestante, parece ser muito fácil, mas cada bebê é um e cada mãe é uma. Ninguém te fala que no começo dói bastante, que os mamilos ficam doloridos que, quando a mama está cheia dói mais ainda e que o bebê não nasce sabendo mamar...

Bom, eu consegui fazer minha bebezinha pegar a mama corretamente assim:

- Primeiro esvaziava a aréola (caso estivesse cheia), pois caso esteja muito cheia, o bebê não consegue abocanhar e pegará só seu mamilo;


- Conversava calmamente com ela para que ela se sentisse bem e reconhecesse minha voz (sabe -se que desce mais leite se a mãe troca olhares carinhosos com o bebê);


- Colocava ela na direção do mamilo e não o contrário (não levava o bico até ela, pois senão a hora que eu soltasse a mão da mama ela poderia puxar);


- Com um braço eu segurava a cabeça e o corpinho dela e com a outra mão, pegava a mama (em forma de concha e não de tesoura);


- Aí então eu encostava a bebê no meu mamilo;


- Ela abria a boca e eu colocava a aréola dentro da boca dela.

Lógico que ela não abocanhava tudo, mesmo porque ela era bem pequenina quando nasceu, então eu, com o dedo indicador, ia empurrando a sobra da aréola que ficava pra fora da boca para dentro da boquinha dela, além disso, virava o labiozinho inferior dela. Depois disso, eu acomodava o outro braço nas costas dela, abraçando-a e segurando-a suavemente contra meu peito para que ela não soltasse essa posição.

O queixo do bebê deve estar encostando na mama da mãe e o nariz apontado para ele também. A barriguinha do bebê deve estar encostada na barriga da mamãe. No meu caso que fiz cesárea, no começo era difícil, pois acabava apoiando nos pontos e doía, aí acabava apoiando a bebê inteira no braço... Consequência: uma "baita" dor no braço e nas costas. Aí eu aprendi a usar a almofada de amamentação. Depois faço um post só para a almofada para explicar as formas que a utilizei.

Não era sempre que dava certo de primeira tudo isso. Então e repetia tudo desde o início até que com 1 semana de vida ela já tinha aprendido e abria o bocão sozinha. Amamentar também é ter paciência. Pense que, essa é a primeira coisa que você ensinará ao seu bebê, assim você até se sente mais mãe!!!

Outra coisa: Sempre tinha, ao meu lado, um copão de água, pois dá muita sede e a ingestão de bastante água é importante para a produção de leite.

Pausa para a tirinha da Maitena. Muito boa!

Quando o bebê machuca o mamilo...

Nota da autora: este post será comentado parte a parte. Não quero ocultar a realidade, assumo tudo o que fiz. Na época, era o que eu pude fazer para aliviar as dores e não tinha orientação. Vou comenta o que for preciso e deixarei o original para não apagarmos a história...


Durante a gravidez, passei bucha vegetal nas mamas todos os dias e não passei nenhum tipo de creme na aréola e no mamilo. (Hoje sei que isso não é necessário, é uma prática desnecessária e que pode causar lesões na pele). No início da amamentação, segui a orientação da amiga Sueli que amamentou 4 anos(!):

Quando a Marina acabava de mamar, eu passava meu leite em todo o mamilo, deixava secar e recolocava o soutien. Fazendo isso, eu não tive uma fissura nem nada! É lógico que isso também só aconteceu porque a Marina fez a pega direitinho.

No entanto, agora minha bebê está tendo muitas cólicas e, no auge das dores, ela vem com muita força para mamar. Na maioria das vezes, ela me machuca, às vezes no mamilo mesmo e outras parece que machuca "por dentro", ficando muito dolorida a amamentação. (essa dor "por dentro" é da passagem do leite pelos ductos, o que pode ser bem dolorido mesmo, com sensação de "machucado").

Quando ela machuca o mamilo eu faço o seguinte:

- Lavo o mamilo com água e passo leite em volta dele. (Não é necessário lavar, apenas passe o leite)
- Depois de seco, passo um creme de calêndula (30% de Extrato) em toda a parte machucada e coloco a concha coletora e deixo por aproximadamente 8 horas com este "curativo" sem ela mamar. (O creme de calêndula não deve ser usado, não há comprovação de seu efeito na fissura e o bebê não pode mamar este creme. a concha é uma armadilha, os benefícios que ela produz não superam os riscos. Conchas podem causar mastite, mais empedramento, candidíase e diversos outros problemas. Ordenhar a mama antes do bebê mamar a fim de "amaciar a aréola" traz esse benefício de ajudar o bebê a pegar a mama, sem os riscos do acessório).
- Passado este tempo, lavo bem para retirar o creme com um sabonete líquido de calêndula (marca Granado), seco bem e volto a dar de mamar naquela mama. (Lavar frequentemente retira a proteção natural da aréola que é mantida lubrificada pelas glândulas de Montgomery).

Vou fazendo isso até cicatrizar (no meu caso, como não espero machucar muito, uma vez só normalmente basta). (Para evitar ou cicatrizar fissuras, basta o bebê fazer a pega correta).

Quando ela machuca "por dentro" eu faço o seguinte: (Como disse anteriormente, o bebê não machuca "por dentro", esta é a dor que sentimos quando o leite passa pelos ductos, não é necessário fazer nada, aliás, não há o que fazer. O que alivia é pensar no bebê ao amamentar, relaxar os ombros, evitar soutiens de abertura parcial, preferir os de abertura total ou até mesmo amamentar sem o soutien. Sendo assim, desconsidere toda informação abaixo, com exceção da doação de leite. Doe leite materno!)  
- Lavo o mamilo, seco bem e coloco a concha coletora (veja foto abaixo).
- Deixo a mama machucada, com a concha, "descansando" por mais ou menos 8 horas.
- Mais ou menos na metade do tempo, eu tiro um pouco do leite com ordenha manual (este excedente eu doo ao Banco de leite).
- Passadas as 8 horas, já na hora do banho, massageio a mama (que à esta hora já está MUITO cheia) com as duas mãos em forma de concha e deixo a água morna cair sobre a mama.
- Saio do banho e dou de mamar naquela mama.

Estarei mentindo se falar que não vai doer nada, mas já dói bem menos do que se eu insistir o dia todo nesta mama logo depois de machucar.

terça-feira, 27 de julho de 2010

A descida do leite - Apojadura

No segundo dia em casa, à noite, minhas mamas incharam muito, quando vi no espelho, estava imensa!!! Mostrei para minha mãe e ela me disse que eu parecia a Sofia Loren, heheh!

Não achei nada engraçado. Ainda sob o efeito do Baby Blues, me vi apavorada com as mamas empedradas! Minha bebê era muito pequenina e sabia que ela não daria conta daquele leite todo.Na hora me lembrei que isso poderia ocasionar uma mastite (febre, dor e inchaço nas mamas) e me desesperei!

Então, vendo meu desespero, meu marido que, obviamente estava muito mais calmo do que eu, pegou um livro que ganhei de uma amigona durante a gravidez (“Filhos – da gravidez aos 2 anos de idade", Sociedade Brasileira de Pediatria - Editora Manole) e buscou nele informações sobre o que fazer.

Seguindo as informações do livro, comecei a tomar as devidas providências:

Tomei um banho morno e deixei cair bastante água sobre a mama, pegando-a em forma de concha por baixo e massageando levemente com os cinco dedos juntos por toda a volta da mama (como se fosse "soltar" aquele leite que estava empedrado), chacoalhando-a levemente.

Saí do banho e, peguei bem no limite da aréola (no final da parte escura) com o de do indicador por baixo e o polegar por cima e fui apertando levemente ao mesmo tempo que pressionava um pouco em direção ao peito, como se fosse minha bebê sugando. Demorou um pouco a começar a sair e aí fiquei preocupada de novo, pois somente gotejava...

De madrugada, fiz a minha bebê mamar nas duas mamas, para esvaziar pelo menos um pouco das duas e o que sobrava eu tirava. Foi isso que aliviou um pouco aquela noite.

No dia seguinte, procurei o Banco de Leite da minha cidade que me orientou a ordenhar o leite excedente para doação. Peguei um frasco de café solúvel, fervi por 20 minutos, deixei secar sobre um papel toalha de boca para baixo e passei a armazenar o leite lá. Não era muito, mas a pessoa que me atendeu no Banco me disse que "um dedinho" do leite materno amamenta um bebê prematuro e que eles viriam buscar qualquer quantidade, fosse assim pequena ou um vidro de maionese cheio!

Então, fiquei super contente em realmente poder ajudar, nem que fosse a um bebê só, visto que ainda gotejava meu leite. Para retirar o leite eu fazia da seguinte forma:

- Prendia os cabelos;
- Lavava bem as mãos com água e sabão e secava em um papel toalha;
- Sentava no meu quarto, bem tranquila, pensava na minha bebê (ajuda muito a sair o leite, por incrível que pareça) e tirava o leite como disse anteriormente;
- É importante não falar durante a ordenha, para não cair saliva no frasco.
- Massageava as mamas do jeito que fiz no banho e começava a ordenhar.
- Ah! Não aperte demais a aréola, nem fique passando os dedos por cima da mama, isso não vai fazer sair mais leite, pelo contrário, eu apertei demais um dia e fiquei bem dolorida depois para amamentar. Um vídeo que me ajudou muito a entender como se ordenhava o leite foi esse, vale a pena assistir até o final:



Fiquei com as mamas nessa situação por três dias. Para que minha bebê não perdesse os nutrientes de todas as porções do leite, eu ia alternando, uma vez tirava o primeiro leite (quando a mama estava cheia) e da outra vez tirava o final, pois ela não conseguia mamar um seio completamente.

Quanto à bomba, sinceramente, aquilo tenta arrancar seu mamilo fora e não tira o leite. A ordenha manual é muito melhor, pois você controla a pressão e é muito mais suave.

Em uma semana minhas mamas já estavam produzindo a quantidade certa de leite para minha bebê. Como ela ainda não tinhas os horários certinhos para mamar, quando eu via que começava a empedrar (principalmente de madrugada) eu colocava aquela concha coletora que ajudava a esvaziar o mamilo e dava uma aliviada na pressão da mama. Essa concha até ajudava na hora dela mamar, pois quando a aréola está muito cheia, o bebê não consegue pegar a mama direito e te machuca. (Uma pequena observação após 4 anos e muitos e muitos livros estudados: a concha é uma armadilha, os benefícios que ela produz não superam os riscos. Conchas podem causar mastite, mais empedramento, candidíase e diversos outros problemas. Ordenhar a mama antes do bebê mamar a fim de "amaciar a aréola" traz esse benefício de ajudar o bebê a pegar a mama, sem os riscos do acessório).

Lembrando que, esta foi a minha experiência. Cada caso é um caso, mas sei que, se você começar a tirar o leite quando perceber que está empedrando a chance de complicar é muito menor!

Ah, e porque eu chamei de leite intermediário? Porque é o primeiro leite que desce depois do colostro e só depois vem o leite maduro. Olha só, de acordo com a NBR 10213 e BLH-IFF/NT 23.04 (Normas técnicas para Banco de Leite Humano):

- Colostro: primeiro produto da secreção lática, obtido em média até 7 dias após o parto.

- Leite Humano de Transição (ou intermediário):produto intermediário da secreção lática da nutriz, entre o colostro e o leite maduro, obtido em média entre o 7º e o 15º dia após o parto.

- Leite Humano Maduro: produto da secreção lática da nutriz, livre do colostro, obtido em média a partir do 15º dia após o parto.

Percebi que há uma boa diferença na coloração entre os três, sendo que somente o maduro tem aquele aspecto de leite branco e opaco que a gente conhece. O intermediário era um branco acinzentado (no meu caso).

Já em casa...o tal do Baby Blues...

Em casa a coisa complicou!!!

Meu Deus, como os hormônios mexem com a gente! A alteração brusca dos hormônios e as novas preocupações, as dores, o corte e tudo o que muda na nossa vida assim que a gente chega em casa nos deixa maluca! A primeira semana foi,a o mesmo tempo tão maravilhosa por ter minha bebê em casa e tão estressante pelas novas rotinas. Eu não dormia nada, no máximo duas horas por noite, achando que pudesse acontecer algo com ela. E eu ainda estva contando com a ajuda da minha mãe em tempo integral e do meu marido nos 5 dias de licença dele. Mesmo assim eu não conseguia relaxar nem para tomar banho e chorei por algumas vezes. Quando percebi, estava em um nível de estresse que eu nem entendia mais o que as pessoas falavam, estava completamente estafada.

O que me fez melhorar foi pensar que aquilo era passageiro, afinal de contas, todos os hormônios da gravidez despencaram seus níveis em meu corpo e outros agora estavam atuando, como se fosse uma TPM violenta e que, se eu me deixasse derrubar, poderia prejudicar a amamentação da pequena, assim eu não podia me dar o direito de ficar doente, já que aquele serzinho precisava tanto de mim.


segunda-feira, 26 de julho de 2010

Colostro e as cólicas uterinas...


Marina mamando ainda no Hospital

Cheguei ao quarto do hospital atropelada, enjoada e completamente "grogue". Mesmo assim, minha preocupação agora era ver minha lindinha e saber se já tinha comidinha para ela! Mesmo porque eu queria que ela se sentisse acarinhada e protegida. O parto é algo tão agressivo ao bebê que está lá quentinho e quietinho... queria que ela sentisse todo nosso carinho e percebesse que não fui embora, que estava lá com ela. Li tanto sobre que o bebê percebe os batimentos do coração da mãe e fica mais tranquilo que, mesmo passando mal fiz questão de deixá-la um tempo sobre o meu peito para que se sentisse bem.

Bom, como entrei em trabalho de parto, meus hormônios estavam prontinhos para mandar descer o colostro. Dito e feito. Cheguei no quarto e ele já estava lá, saindo lindão!!! Então, assim que a Marina chegou, a enfermeira já a colocou em meu peito e ela mamou direitinho. Por estes e outros motivos, mesmo que a mulher tenha medo do parto normal, acho muito importante esperar a hora do bebê. Quando eles avisam que querem sair, tudo flui melhor, o leite, a pegada do bebê, afinal de contas, a fruta precisa ser retirada do pé madurinha, senão fica dias lá na fruteira não é verdade?

Na hora que ela pegou, tive cólicas no útero que perduraram por até 2 semanas depois do parto toda vez que ela mamava, mas nem reclamei, pois foi isso que me fez sangrar muito pouco no pós-parto e a minha barriga voltar ao normal rapidinho. As cólicas se dão porque a sucção do mamilo estimula a hipófise posterior, que secreta oxitocina (ou ocitocina leia mais abaixo).

Glossário:

Oxitocina (ou ocitocina): Este hormônio é o responsável pela ejeção do leite. Tal mecanismo ocorre porque a oxitocina contrai os músculos ao redor dos alvéolos, fazendo com que o leite caminhe até o mamilo. O leite só começa a ser produzido depois do primeiro dia do nascimento. Até este período, haverá a secreção e liberação do colostro, que é um líquido aquoso, de cor amarelada, que contém anticorpos maternos. Quando os lábios do bebê tocam os terminais nervosos do mamilo, um impulso elétrico vai até a hipófise da mãe, - uma glândula na base do cérebro, - e avisa, como uma campainha, que o freguês chegou. Sem perder tempo, a glândula derrama uma dose de hormônio chamada oxitocina, que de carona com a circulação sangüínea, acaba chegando aos seios. Ali, a substancia ordena que seja servida a primeira gota do leite materno. Esse hormônio só atua em 3 momentos da vida da mulher: durante o ato sexual, no parto e na amamentação. Nas 3 situações o hormônio provoca a contração das fibras uterinas. No caso do aleitamento, além de autorizar o início da mamada, a oxitocina ajuda o útero a ir retomando o volume original. Pois para abrigar o feto, o útero chega a aumentar cerca de 1000 vezes de tamanho.


Colostro: líquido amarelo, transparente, levemente salgado e com aparência aguada. No entanto tem maior valor nutritivo que o próprio leite e transmite ao bebê anticorpos da mãe, protegendo-o contra algumas doenças. Depois de alguns dias o colostro vai clareando e tornando-se mais opaco, até chegar ao leite materno, que é definitivo. É produzido até o 7º dia. Do 7º ao 15º é um leite de transição e depois disso é produzido o leite maduro.
(http://www.rc.unesp.br/proama/pagfeitas/colostro.htm , acessado em 05/07/10)

O Nascimento da Marina


Fabiana e Marina aos 22 de maio de
2010, 36 semanas e 5 dias.





Pois é...

Enquanto eles estavam guardadinhos em nossa barriga, comer era bem mais fácil... No máximo, nós passávamos mal, enjoávamos...

Embora já haviam me dito mas eu não acreditava, agora, 38 semanas depois é que o "caldo entorna"...

Eu me preparei muito para amamentar. Queria ter parto normal ou pelo menos que a Marina "avisasse" sua chegada, com bolsa estourada ou contrações e foi isso mesmo que aconteceu.

Segue o relato do parto da Marina. Depois conversaremos novamente sobre minha experiência de amamentar...

"A Marina nasceu em 06/06/2010, às 8h37 da manhã com 38 semanas e 5 dias, em pleno domingo de frio!!!!!

Tive, nas últimas semanas, várias contrações de treinamento, indolores. No dia 3 pela madrugada senti a primeira contração. Além disso, vinha sentindo um mal estar, já não conseguia mais comer direito, vomitei algumas vezes, acho que por conta do tamanho dela e do meu tamanho, acho que estava já tudo meio apertado e a comida não descia direito. Todas as noites eu tinha a sensação de que algo ia acontecer, sei lá uma coisa estranha... Junto com mal estar... não sei explicar... Até que, na madrugada do dia 3 tive uma contração de verdade. Foi uma só, mas o suficiente para saber que a Marina estava chegando. Na madrugada seguinte, tive mais três contrações e fiquei aguardando que elas ritmassem, mas que nada. Foram só as três e pronto. Isso se repetiu na madrugada do sábado, dia 5.

Liguei para o médico pela manhã para tentar adiantar minha consulta para o início da semana, pois estava ficando meio apavorada e já não sabia mais se queria esperar o parto normal como havíamos combinado. Ele me disse para passar no consultório segunda, dia 7 e aí conversaríamos, caso eu não quisesse mais, tudo bem. Fui tomar um banho e, ao me enxugar, senti a tal da água quente descendo pelas minhas pernas. Foi pouca, mas o suficiente para conseguir mostrar ao meu marido. Fiz ele ligar novamente para o médico que me mandou ir para o Hospital para confirmarmos se a bolsa tinha rompido. Me arrumei, pegamos as malas, batemos até foto! E fomos para o Hospital.

Chegando lá, fiz aquele exame de toque horroroso e o médico plantonista disse que poderia não ser rompimento ou então era uma rotura alta, pois a água que saiu era pouca e que eu tinha 1 cm só de dilatação. Me pediu um ultrassom, que não indicou perda de líquido. Quatro horas depois, sem almoçar, estava eu de volta em casa, doida da vida. Falei com meu médico de novo e ele repetiu novamente que, caso eu não quisesse mais tentar o PN que ele aguardaria somente completar as 39 semanas. Minha família já estava toda no hospital!!!!

Na madrugada de sábado para domingo, as contrações começaram de novo e não pararam mais. Iniciaram às 3h, mais ou menos de 20 em vinte minutos e, neste intervalo, vinha uma cólica forte que não chegava a ser uma contração.Meu marido ficou controlando os intervalos comigo e, quando perdemos as contas, acho que já estava de 10 em 10 minutos, alternados com a tal da cólica, fui para o Hospital. Ainda bem que não tinha tirado as malas do carro, pois ia ser difícil carregar!!!Chegando lá, peguei o mesmo plantonista. Mais um exame de toque e 2 cm de dilatação. Ele me internou e chamou meu médico. Fui direto para o Centro Obstétrico e lá fiquei tendo contrações. As enfermeiras perguntaram se eu ia querer normal e eu disse que esperaria para resolver com meu médico, pois não queria induzir. Só faria o PN se houvessem condições reais. Neste meio tempo, a bolsa estourou de vez. Meu médico chegou por volta das 8h e eu já estava subindo pelas paredes!!!! As contrações chegaram a ficar de 1 em 1 minuto mas, quando o meu médico chegou, viu que o colo estava alto ainda e continuava com 2cm de dilatação. Então ele optou pela cesárea. Dá um pouquinho de medo, mas logo passou quando vi minha princesa. Meu marido assistiu o parto e nos emocionamos muito. Ela nasceu com 2780g e 46,5 cm, pequenininha mas muito linda!!!"

Onde tudo começou...



De Umbigo a Umbiguinho
Composição: Toquinho e Elifas Andreato


Muito antes de nascer
Na barriga da mamãe já pulsava sem querer
O meu pequenino coração,
Que é sempre o primeiro a ser formado
Nesta linda confusão.

Muito antes de nascer
Na barriga da mamãe já comia pra viver
Cheese salada, bala ou bacalhau.
Vinha tudo pronto e mastigado
No cordão umbilical.

Tanto carinho, quanta atenção.
Colo quentinho, ah! Que tempo bom!
De umbigo a umbiguinho um elo sem fim
Num cordãozinho da mamãe pra mim.

Muito antes de nascer
Na barriga da mamãe começava a conviver
Com as mais estranhas sensações:
Vontade de comer de madrugada
Marmelada ou camarões.

Muito antes de nascer
Na barriga da mamãe me virava pra escolher
A mais confortável posição.
São nove meses sem se fazer nada,
Entre água e escuridão.

Tanto carinho, quanta atenção.
Colo quentinho, ah! Que tempo bom!
De umbigo a umbiguinho um elo sem fim
Num cordãozinho da mamãe pra mim.
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